Após 14 dias de ocupação do porto de Santarém, indígenas bloqueiam estrada de acesso ao aeroporto
Indígenas bloqueiam BR 163 e estrada de acesso ao aeroporto de Santarém Quatorze dias após movimentos indígenas iniciarem bloqueios da rodovia BR 163 (Santa...
Indígenas bloqueiam BR 163 e estrada de acesso ao aeroporto de Santarém Quatorze dias após movimentos indígenas iniciarem bloqueios da rodovia BR 163 (Santarém/Cuiabá), no perímetro sob concessão portuária, impedindo o acesso de caminhões, cargas e pessoas, mais um bloqueio foi iniciado nesta quarta-feira (4), desta vez, na rodovia Fernando Guilhon, principal via de acesso ao Aeroporto de Santarém - Maestro Wilson Fonseca. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp O bloqueio da rodovia é uma forma de aumentar a pressão ao governo federal para atendimento das reivindicações dos indígenas, entre elas, a revogação do Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que autoriza a concessão de hidrovias à iniciativa privada, permitindo a dragagem do rio Tapajós. O protesto teve início após o governo mandar representantes do segundo escalão para uma reunião com lideranças indígenas, sem nenhuma proposta. Pneus e troncos de árvores são usados no bloqueio da rodovia Fernando Guilhon. Rapidamente, uma fila de carros e motos se formou na pista. De acordo com os manifestantes, o bloqueio é por tempo indeterminado. Policiais militares acompanham a manifestação. Indígenas bloqueiam acesso ao aeroporto de Santarém Kamila Andrade/g1 No porto de Santarém, a manifestação dos indígenas começou no dia 22 de janeiro e completa 14 dias nesta quarta. Uso de força policial Por causa do bloqueio na BR 163, na entrada do porto de Santarém, a Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis no Estado do Pará (Cesportos/PA), publicou a Portaria Cesportos-PA, Nº 1, que entrou em vigor às 12h de terça-feira (3). A portaria autoriza o ingresso e a atuação da Polícia Militar do Estado do Pará, especialmente do efetivo do Batalhão de Missões Especiais (BME), na área do Porto de Santarém, nos casos de distúrbios, invasões ou grave perturbação da ordem pública nas instalações portuárias, nas áreas objeto de concessão pública e a bordo de navios, em atuação integrada e coordenada com a Polícia Federal. Indígenas ocupam acesso à multinacional Cargill em Santarém, no Pará. Reprodução/CITA A Cesportos levou em consideração o aumento do número de manifestantes nos últimos dias e a intensificação das ações, como o bloqueio das vias secundárias, com barricadas de pneus e troncos de árvores; o controle imposto sob pessoas e veículos, intimidando e ameaçando, por vezes com flechas, tacapes e bordunas; cerceando-lhes o direito natural de ir e vir; e recentes ameaças no sentido de bloquear e impedir o funcionamento de outros operadores portuários. Consulta prévia Além da revogação do Decreto nº 12.600/2025, os manifestantes também exigem que o governo federal cumpra a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), assegurando a consulta livre, prévia e informada antes de qualquer intervenção no rio Tapajós, fonte de vida e alimento para centenas de famílias ribeirinhas. Para os representantes dos 14 povos presentes na manifestação, a dragagem do rio Tapajós afeta diretamente a vida, os direitos e o futuro dos povos indígenas do Baixo Tapajós, e afirmam: "Nossa luta é pelos povos do Baixo, Médio e Alto Tapajós, e pelo direito de decidir sobre nossos territórios, respeitando a sociobiodiversidade, os modos de vida e a continuidade do rio que é essencial para o presente e para o futuro." Outras imagens Veículos parados na rodovia Fernando Guilhon devido ao bloqueio da via por indígenas Kamila Andrade/g1 Polícia Militar acompanha manifestação de indígenas na rodovia Fernando Guilhon Kamila Andrade/g1 VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região