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Oscar 2026: cineastas paraenses dizem que sucesso de ‘O Agente Secreto’ amplia visibilidade de produções da Amazônia

No domingo, "O Agente Secreto" concorre ao Oscar em 4 categorias; uma delas é nova, Melhor Seleção de Elenco Com o filme "O Agente Secreto" em destaque no Os...

Oscar 2026: cineastas paraenses dizem que sucesso de ‘O Agente Secreto’ amplia visibilidade de produções da Amazônia
Oscar 2026: cineastas paraenses dizem que sucesso de ‘O Agente Secreto’ amplia visibilidade de produções da Amazônia (Foto: Reprodução)

No domingo, "O Agente Secreto" concorre ao Oscar em 4 categorias; uma delas é nova, Melhor Seleção de Elenco Com o filme "O Agente Secreto" em destaque no Oscar 2026, cresce o interesse do público pelas produções nacionais. No Pará, cineastas apontam que a atual fase que o cinema brasileiro vive também ajuda a valorizar filmes feito na Amazônia, que tem uma produção ativa e diversa, com projetos independentes e até uma plataforma onde é possível assistir a obras feitas na região. A premiação deste ano será realizada neste domingo (15), em Los Angeles, com transmissão ao vivo pela TV Globo. O longa do diretor Kleber Mendonça Filho concorre em quatro categorias, incluindo Melhor Filme e de Melhor Ator para Wagner Moura. Para profissionais do cinema no Pará, a valorização internacional de "O Agente Secreto" evidencia que estados brasileiros no Norte e Nordeste também realizam produções dignas de Oscar. Produzido em Pernambuco, o filme amplia a visibilidade de obras de outras regiões do país e desperta maior interesse do público por essas produções. ✅ Clique e siga o canal do g1 PA no WhatsApp “O mundo está redescobrindo o que temos de bom aqui na Amazônia e o que sempre fizemos. É muito bom ver produções nacionais ganhando espaço lá fora e perceber que cada vez mais pessoas têm se interessado pelas nossas histórias”, diz Raphael Mendes, cineasta paraense e mestrando pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Raphael destaca que o reconhecimento dessas produções ajuda o público a conhecer a diversidade do cinema produzido na Amazônia. Com atuação no mercado há cinco anos e seis projetos lançados ou em fase final de produção, ele afirma que o cinema paraense reúne diferentes estilos, temas e linguagens. “Todo o cinema que é feito no Pará é paraense, mesmo quando não fala diretamente da cultura do estado. Temos realizadores que querem contar histórias de ação, humor, ficção. Isso mostra como a produção é diversa”, afirma. 🎬 Muitas histórias para contar No dia 11 de janeiro, o cinema brasileiro ganhou destaque no Globo de Ouro, quando "O Agente Secreto" venceu como melhor filme em língua não inglesa e rendeu a Wagner Moura o prêmio de melhor ator. Na ocasião, Kleber Mendonça Filho dedicou o reconhecimento a jovens cineastas e destacou a importância do momento para a produção de filmes. "Dedico este filme aos jovens cineastas. Este é um momento muito importante na história para se fazer filmes aqui nos Estados Unidos e no Brasil", disse o diretor. Laura Amaral, também formada em Cinema e Audiovisual pela UFPA, acredita nisso. Segundo a cineasta, que atua no setor audiovisual como assistente de produção executiva na "Marahu Filmes" e no departamento de arte em outras produções, ela diz que há muito o que produzir na Amazônia. “Temos muitas histórias para contar e profissionais qualificados para realizá-las”, diz. Bastidores de uma das produções feitas pela Marahu Filmes Divulgação Segundo a cineasta, o reconhecimento também ajuda a evidenciar o potencial da produção audiovisual na Amazônia. “O Pará tem capacidade de produzir filmes que cheguem a grandes premiações internacionais, como o Oscar, mas isso exige políticas públicas, leis de incentivo e valorização das histórias e profissionais locais”, afirma. 🎬 Produções paraenses em destaque Laura afirma que as produções realizadas no Pará vêm crescendo nos últimos anos, especialmente as conduzidas por diretores e roteiristas paraenses. De acordo com ela, este ano deve marcar a produção de novos longas-metragens no estado. “É um movimento ainda lento, mas constante. Cada vez mais histórias estão sendo contadas e muitas outras ainda estão por vir”, afirma. Para a cineasta Milene Maués, o momento atual é de crescimento e visibilidade da produção local. “Cada vez que o cinema brasileiro é valorizado lá fora, isso toca quem trabalha com audiovisual e reforça que é possível chegar lá, apesar dos desafios que a gente enfrenta, principalmente nas regiões Norte e Nordeste”, diz. 'Sem Nome, Sem Endereço', dirigido por Thiffany de Paula e produção executiva de Raphael Mendes. Estreia em 2026 e está atualmente em pós-produção. Divulgação Milene tem cerca de 19 projetos no currículo, entre experiências como diretora, roteirista e também trabalhos voluntários. A profissional afirma produções feitas por ela e outros profissionais do Pará estão disponíveis em plataformas digitais, como o Observatório de Cinema e Audiovisual da UFPA (OCA), uma plataforma de produções locais. “É uma forma de aproximar o público dessas produções, porque muita gente nem sabe que existe cinema sendo feito aqui”, explica. 🎬 Dificuldades de fazer cinema na Amazônia Apesar do crescimento da produção, os profissionais apontam que o setor ainda enfrenta desafios, principalmente relacionados ao financiamento e às políticas de incentivo. Para Raphael, um dos principais obstáculos é a limitação de recursos disponíveis para viabilizar novos projetos, como editais com poucas vagas e recursos limitados. Projeto 'Sonhos de Rio' Divulgação Ele também aponta que ainda existe uma desigualdade na valorização de profissionais da região. Segundo Raphael, algumas produções realizadas no Norte acabam trazendo equipes de outros estados, mesmo quando há profissionais qualificados localmente. “Muitas vezes vemos produções sendo feitas aqui, mas com profissionais vindos de fora. Ainda existe uma cultura de pensar que um profissional do Norte talvez não tenha a mesma competência, e isso precisa mudar”, diz. Cena do filme 'Sonhos de Rio' Divulgação Para Laura, além do apoio institucional, o reconhecimento do público tem um papel importante para ampliar a visibilidade das produções locais. “Quando as pessoas assistem a um filme produzido aqui e compartilham essa experiência com outras pessoas, ajudam a fortalecer essa produção e a fazer com que essas histórias circulem”. Apesar dos desafios, quem atua no setor acredita no potencial do cinema produzido no Pará e na força das histórias contadas a partir da Amazônia. “A gente tem muito potencial, muitas histórias para contar e muita vontade de fazer cinema”, destaca a cineasta Milene. 'Sonhos de Rio', projeto de TCC pela UFPA de Milene Maués, Laura Amaral e Juliana Silva, por meio do coletivo Iniventável Filmes Divulgação VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Confira outras notícias do estado no g1 PA