Tradicional pesca do mapará mobiliza centenas de pescadores no PA após 4 meses de proibição
Cametá celebra abertura da pesca do mapará após período do defeso 🐟 A temporada de pesca do mapará foi oficialmente reaberta neste domingo (1º), no Bai...
Cametá celebra abertura da pesca do mapará após período do defeso 🐟 A temporada de pesca do mapará foi oficialmente reaberta neste domingo (1º), no Baixo Tocantins, no nordeste do Pará. Após quatro meses de defeso, período que vai de novembro a fevereiro e que busca garantir a reprodução da espécie, centenas de comunidades da região celebraram a volta da captura do peixe, considerada uma das mais importantes manifestações econômicas e culturais do Pará. ✅ Siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Preparação para o grande dia Pescadores se reúnem para fazer 'borqueio' e garantir uma pesca farta. Fábia Sepêda / TV Liberal 🚣♀️ Em Cametá, cidade no nordeste do Pará, com o céu ainda escuro, pescadores já estavam na água para iniciar um dos “borqueios”, uma técnica de cerco aos cardumes de mapará. A expectativa é grande todos os anos. "Ano passado tivemos 332 denúncias; este ano passou para duas, quase zero. Foi um trabalho bom. Agora a gente espera que a mãe natureza retribua com muito mapará para todos nós', contou o secretário de meio ambiente de Cametá, Lucas Fernandes. Em Cametá mais de 60 acordos de pesca participam dos borqueios, tanto pra impedir a pesca quanto para a abertura. Só no primeiro dia de pesca, as comunidades do município, somadas, tiram mais de 150 toneladas de mapará. A cidade tem 150 mil habitantes. Quarenta mil vivem em 250 comunidades ribeirinhas, espalhadas em ilhas. 🤫 No Rio Pindobal, divisa entre Cametá e Igarapé-Miri, a pesca com rede demanda paciência e estratégia. Apenas canoas são permitidas na água para não afugentar os peixes. Os "taleiros" vão à frente, usando "talas" (bastões) para sentir a localização dos cardumes. Uma vez encontrado o cardume, a rede é lançada e o borqueio começa. Um dos momentos cruciais e arriscados é a atuação dos mergulhadores. Eles chegam a mergulhar mais de 10 metros de profundidade para ajustar a rede debaixo d'água, tirar galhos e garantir que nenhum peixe escape. Mergulhador e pescador, José Gonçalves reconhece o risco da função. "É uma tarefa arriscada. Se a gente ficar preso na rede, acaba o fôlego e acabamos morrendo", revela. 🐟 Um tempo depois, o cerco se aperta, e o mapará começa a aparecer, transformando o rio em uma festa de embarcações coloridas. Pescadores, ribeirinhos e turistas se misturam, todos em busca de um espaço para participar dessa tradição secular. 👫 A paixão pela pesca é passada de geração em geração. Durante o momento da retomada, famílias inteiras participam: pai e filho, mãe e filha, avô e neta e por aí vai. Fartura e festa Centenas de pescadores fazem "borqueio" para capturar milhares de maparás. Edenilton Marques / TV Liberal A cada borqueio, os pescadores capturam em média 10 toneladas de mapará. "Graças a Deus, tem muito. Ainda tem umas cento e poucas basquetas" comemorou o pescador Jorge ao mostrar a abundância da pesca. 🧊 As basquetas de peixe são caixas utilizadas para o manuseio, transporte, pesagem e armazenamento de peixes frescos. A palavra também é utilizada como medida pelos pescadores. A celebração da colheita inclui até mesmo churrasqueiras montadas nos barcos, onde o peixe recém-capturado é assado. "Jogaram aqui para o barco e a gente está assando. Vamos comer com a farinha baguda, molho de pimenta, limão e açaí", descreveu a professora Maria Veras, que participava da festa. 💰 Do ponto de vista econômico, a pesca do mapará garante renda para as comunidades. Norberto Lima, pescador, explica a divisão: "Aqui a gente recebe 50% e 50% é da comunidade". E assim, até novembro, a expectativa é de dinheiro no bolso e mesa farta para os ribeirinhos, tudo graças ao peixe mais famoso do Baixo Tocantins. "É muita fartura no Pindobal!", celebrou mais um pescador. VÍDEOS com as principais notícias do Pará Acesse outras notícias do estado no g1 Pará.